Mário Pedrosa

“A vontade de arte se manifesta em qualquer homem de nossa terra, independente do seu meridiano, seja ele papua ou cafuzo, brasileiro ou russo, negro ou amarelo, letrado ou iletrado, equilibrado ou desequilibrado.”

Nascido em 25 de abril de 1900, em Timbaúba, Pernambuco, Mário Xavier de Andrade Pedrosa foi um dos personagens mais extraordinários da militância socialista e da crítica de arte no Brasil. Sua trajetória, ao longo de mais de oitenta anos de vida, foi marcada por dois exílios — durante a ditadura Vargas e a partir de 1964 —, perseguições políticas e intensos debates intelectuais. Embora seja hoje mais lembrado como crítico de arte, deixou também obras fundamentais de interpretação da história e da economia brasileiras, além de uma longa militância política socialista.

Filho de família de proprietários e senhores de engenho do Nordeste que se voltou para a administração pública — seu pai, Pedro da Cunha Pedrosa, foi senador da República e ministro do Tribunal de Contas —, Mário foi enviado ainda jovem para estudar na Europa, onde permaneceu entre 1913 e 1916. De volta ao Brasil, cursou Direito na Faculdade do Rio de Janeiro entre 1920 e 1923, período em que teve os primeiros contatos com as ideias socialistas e com os artistas do movimento modernista, entre eles Mário de Andrade.

Formou-se bacharel em 1923, mas sua vida seguiria outro caminho: integrou a primeira geração de militantes comunistas brasileiros a aderir à luta revolucionária no rastro da Revolução Russa de 1917, num Brasil em plena transformação da estrutura agroexportadora sob domínio da oligarquia cafeeira, marcado pelo avanço da industrialização, pelo tenentismo e pela fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922. Em 1925, aproximou-se do PCB pelo jornal A Classe Operária e filiou-se ao partido no ano seguinte. Chegou a trabalhar como agente fiscal em João Pessoa (PB) em 1927, mas logo abandonou a carreira para se dedicar à militância, atuando em São Paulo na organização do Socorro Vermelho, entidade de apoio a presos políticos comunistas vinculada ao PCB, e passando a escrever regularmente na imprensa partidária.

Combateu o stalinismo no interior do PCB ao longo das décadas de 1920 e 1930, e mais tarde passou pelo Partido Socialista (PS) nas décadas de 1950 e 1960. Após seu segundo exílio, já nos anos 1960 e 1970, engajou-se nas mobilizações que dariam origem ao Partido dos Trabalhadores (PT), organização que em seus primeiros anos combinava caráter de massas com propostas socialistas — um projeto ao qual permaneceu ligado até os últimos momentos de sua vida.

Paralelamente à militância política, consolidou-se como o mais influente crítico de arte brasileiro do século XX, sendo referência incontornável para os movimentos artísticos de vanguarda do pós-guerra e para as manifestações que se seguiriam — inclusive cunhando o termo “pós-moderno” a partir de sua leitura da obra de Hélio Oiticica. Defendeu o abstracionismo e a arte experimental, contribuindo para projetar nomes como Abraham Palatnik, o Grupo Ruptura (Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros, Lothar Charoux) e o Grupo Frente, além de acompanhar de perto artistas como Lygia Clark, Lygia Pape, Hélio Oiticica e Antonio Manuel. Durante seu exílio no Chile, teve papel central na concepção do Museu da Solidariedade Salvador Allende.

Principais Obras:

  • Da Natureza Afetiva da Forma 
  • Arte, Forma e Personalidade
  • A Crise Mundial do Imperialismo e o Brasil
  • Arte, Necessidade Vital 
  • Mundo em Crise, Pátria em Balanço

Ensaios e Artigos:

  • “Arte Neoconcreta: Uma Contribuição Brasileira”
  • “Arte Inconsciente do Inconsciente”
  • “Arquitetura Moderna no Brasil” 
  • “Discurso aos Tupiniquins”

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