Beatriz Nascimento

“A história da raça negra ainda está por fazer, dentro de uma história do Brasil ainda a ser feita.”

Em 1989 foi lançado o longa-metragem documental “Ôrí”, termo originado da língua Yorubá que remete à palavra  “cabeça”, podendo também se referir a mente, a inteligência, a alma orgânica, no candomblé. A obra, dirigida por Raquel Gerber, relata a trajetória do movimento negro no Brasil entre 1977 e 1988, destrinchando a relação Brasil e África e colocando o quilombo como pauta central. Para dar voz à produção, estável presente Maria Beatriz do Nascimento, amplamente conhecida pelo feito no documentário, sendo também referência no resgate da história do negro no país.

Beatriz foi historiadora, professora, poeta e ativista, deixando um profundo legado de resistência para o país. Nordestina, nasceu em Sergipe, na cidade de Aracaju, em 17 de julho de 1942. Todavia, a filha de Rubina Pereira do Nascimento e Francisco Xavier do Nascimento, migrou com sua família para o sudeste em 1949, especificamente para o subúrbio carioca. No novo território, aos 28 anos Beatriz Nascimento ingressou no curso de História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concluindo a graduação em 1971. Posteriormente, tornou-se professora da rede estadual fluminense.

Ao longo de sua trajetória profissional Maria Beatriz articulo a vida acadêmica ao ativismo, sendo a formação dos quilombos no Brasil o foco das suas pesquisas. A historiadora, junto a demais pesquisadores e pesquisadoras negras, fundou o Grupo de Trabalho André Rebouças na Faculdade Federal Fluminense (UFF), mesma instituição em que fez sua pós graduação em História do Brasil em 1981. No final da década 70 e início dos anos 80, Beatriz esteve presente na retomada dos movimentos negros, onde destacava a pauta do reconhecimento e titulação das terras quilombolas. Nesta mesma época ela realizou uma viagem ao continente africano, reafirmando a vinculação entre as culturas negras brasileiras e africanas, experiência que agregou para a construção do documentário Ôrí.

A professora foi também autora de poemas, textos, roteiros e ensaios, dentre eles estão as obras “Por uma história do homem negro” (1974) e “O conceito de quilombo e a resistência cultural negra” (1985). Assim, exerceu um papel central nas reflexões e ações voltadas para a denúncia do racismo enraizado na sociedade. Cabe destacar, ainda, que seus estudos e escritas contribuíram para expor as práticas discriminatórias direcionadas ao corpo da mulher negra.

Maria Beatriz do Nascimento faleceu aos 52 anos, vítima de assassinato por parte do ex-companheiro de uma amiga, em 28 de janeiro de 1995. Sua morte representou uma perda irreparável para a resistência quilombola e para a luta contra o racismo no Brasil.

 

Referências bibliográficas

NASCIMENTO, Beatriz. Beatriz Nascimento. Literafro, UFMG. Disponível em: https://www.letras.ufmg.br/literafro/ensaistas/1422-beatriz-nascimento. Acesso em: 9 fev. 2026.

SOUZA, Ludmilla. Conheça Beatriz Nascimento, intelectual que inspira cientistas. Agência Brasil, 20 jul. 2023. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2023-07/conheca-beatriz-nascimento-intelectual-que-inspira-cientistas. Acesso em: 9 fev. 2026.