
Ignácio Rangel
“Somente assim é possível organizar o espaço, incluindo o mundo inteiro no seu sistema.”
Ignácio de Mourão Rangel (1914-1994) nasceu em 20 de fevereiro de 1914 na cidade de Mirador, Maranhão, e veio a falecer no Rio de Janeiro em 4 de março de 1994. Rangel foi um importante intérprete do Brasil, com orientação política predominantemente Marxista. Graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Maranhão, nos primórdios do curso que daria origem à atual Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
O desenvolvimento de sua carreira, no entanto, seguiu uma trajetória distinta a sua formação jurídica inicial. Ao mudar-se para o Rio de Janeiro, Ignácio trabalhou como tradutor para a agência de notícias Reuters. Assim, o autor foi advogado e jornalista, mas foi no campo da economia que concentrou sua maior dedicação intelectual, tornando-se o responsável por análises de grande relevância. Dentre suas contribuições, cabe destacar o caráter dual da organização brasileira, além da sua teoria sobre a inflação. Nesse sentido é considerado um dos mais originais analistas de desenvolvimento econômico, reconhecimento atribuído pelos economistas Bresser Pereira e José Márcio Rego.
Em 1954, Rangel foi para o Chile, onde realizou um curso de Pós-Graduação na Comição Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), defendendo a tese intitulada “Esarollo Económico en Brasil”. Foi militante do Partido Comunista e fez parte da Aliança Nacional Libertadora (ALN). No âmbito de militância intelectual integrou o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB).
Ignácio, ainda, ocupou cargos públicos de destaque. Atuou como integrante da assessoria econômica de Getúlio Vargas, colaborando nos projetos de criação da Petrobras e da Eletrobras. Em 1955, ingressou nos quadros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), chegando a chefiar o Departamento Econômico, além de ter participado do Conselho de Desenvolvimento da Presidência da República. Atuou, também, no Plano de Metas do governo Juscelino Kubitschek e, em 1964, foi convidado para ocupar o Ministério da Fazenda pelo Presidente João Goulart, mas não aceitou.
No campo jornalístico, manteve uma coluna no Jornal Última Hora, no Rio de Janeiro, entre 1969-1961, e, em 1993, voltou a escrever. Ainda nos anos 1980, colaborou com o Jornal Folha de São Paulo.
Referências Bibliográficas
JABBOUR, Elias. Vida e pensamento de Ignácio Rangel [vídeo]. YouTube, 2025. Disponível em: https://youtu.be/U9YcV1X3ZFQ. Acesso em: 30 dez. 2025.
REGO, J. M. R. ; BRESSER PEREIRA, Luiz Carlos . Um Mestre da Economia Brasileira: Ignácio Rangel. Revista de Economia Política, São Paulo, 1993. RANGEL, Ignacio. Obras Reunidas. V.2. Editora Contraponto, Rio de Janeiro, 2005.
Obras
- 1953 – A Dualidade Básica da Economia Brasileira ISEB — Instituto Superior de Estudos Brasileiros
- 1954 – Introdução ao Desenvolvimento Econômico Brasileiro
- 1957 – Desenvolvimento e Projeto
- 1958 – Elementos de Economia do Projetamento
- 1961 – A Questão Agrária Brasileira. Rio de Janeiro: Presidência da República, Conselho de Desenvolvimento
- 1963 – A Inflação Brasileira
- 1980 – Recursos Ociosos e Política Econômica
- 1982 – Ciclo, Tecnologia e Crescimento
- 1985 – Economia, Milagre e Anti-Milagre
- 1987 – Economia Brasileira Contemporânea
- 1993 – Do Ponto de Vista Nacional
Trabalhos Disponíveis sobre Ignácio Rangel na Internet:
Biografias
Ignacio de Mourão Rangel – Academia Maranhense de Letras
Artigos de Ignácio Rangel:
A conceituação de empresa nacional (1988)
A distribuição de renda (1983)
A dívida externa, uma reflexão (1983)
A economia e a política (1988)
A era das substituições (1990)
A essência das mudanças (1988)
A inflação na linha direta da superação da crise atual (1983)
A nova depressão mundial (1991)
A nova ministra e o combate a inflação (1989)
A presença estatal na economia (1983)
A recuperação americana (1983)
A última disposição transitória (1988)
Ainda sobre a ‘inécia acelerada’ (1988)
Ainda sobre a inflação inercial (1985)
Arrocho salarial não cria emprego (1983)
As etapas da industrialização brasileira
As instituições e a crise (1989)
As mangueiras da inflação (1983)
As polêmicas teses de Ignácil Rangel
Centralismo e federalismo (1988)
Cepal e a substituição industrial de importações (1988)
Classe operária e privatização (1989)
Conceito de latifúndio independente do aspecto produtivo (1987)
Conservadorismo renovador (1983)
Contradições entre serviços públicos e privatização (1985)
Contradições entre serviços públicos e privatização (2) (1985)
Criminalidade e crise econômica (1980)
Da infugibilidade das árvores (1987)
Desestatização e planejamento (1987)
Dívida interna e dívida externa (1987)
Duas questões escaldantes, as múltis e o 2º mundo (1983)
Empresas estatais e privatização (1988)
Entre o curto e longo prazos (1988)
Escala móvel e indicadores de preço no Brasil (1983)
Febre alta na economia brasileira (1989)
Federalismo e unitarismo (1985)
Fim de linha (1988)
Governo deve saber que está na bolsa a solução de muitos problemas (1979)
Industrialização e agricultura (1955)
Industrialização e ZPEs (1987)
Inflação e distribuição de renda (1988)
Iniciativa pública e privada (1956)
Investimento púplico e privado (1988)
Milagres a antimilagres (1987)
Milagres e seus autores (1985)
Ninguém ganha com a recessão (1989)
O amadurecimento da crise (1983)
O futuro da dívida externa (1983)
O futuro do comércio exterior (1987)
O mesmo ciclo uma nova história
O outro lado da privatização (1988)
O Plano Cruzado e o pacto (1988)
O presidente e a recessão (1986)
O presidente e os mestres da economia (1990)
O trem-bala e sua importância para o país (1989)
Parlamentarismo e presidencilismo
Peperplexidades e certezas (1986)
Privatização e mudanças institucionais (1987)
Privatização e plano verão (1989)
Recuperação amaricana (2) (1983)
Reforma econômica faz 3 meses (1985)
Sem modernização o país não tem futuro (1988)
Serviços públicos, passado e futuro (1983)
Sistema em ‘queda livre’ (1983)
Substituições de importações (1983)
Taxas de juros e privatização (1989)
Uma velha história carioca (1983)
Uma visão da ‘perestroika’ (1988)
ZPEs e comércio exterior (1988)
Artigos e ensaios
Ignácio Rangel (Fernando Cardoso Pedrão)
A singularidade do pensamento de Ignácio Rangel
Aspectos do pensamento econômico de Ignácio Rangel (Rodrigo L. Medeiros)
Ignácio Rangel: o grande teórico do dualismo no Brasil (Arissane Dâmaso Fernandes)
Ignácio Rangel (Fernando Cardoso Pedrão)
