Guerreiro Ramos

“A consciência crítica surge quando um ser humano ou um grupo social reflete sobre tais determinantes e se conduz diante deles como sujeito. Distingue-se da consciência ingênua que é puro objeto de determinações exteriores. A emergência da consciência crítica num ser humano ou num grupo social assinala necessariamente a elevação de um ou de outro à compreensão de seus condicionamentos.”

Nascido em 13 de setembro de 1915 Alberto Guerreiro Ramos pode ser considerado um dos principais pensadores da Administração Pública no Brasil. Graduou-se em 1942 em Ciências Sociais pela antiga Faculdade Nacional De Filosofia, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal onde um ano depois pela graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito, na mesma cidade. 

Sua trajetória política atuante tem início durante o segundo governo de Getúlio Vargas entre os anos de 1951 e 1954 trabalhando na Assessoria Econômica da Casa Civil. Nesse mesmo período atuou como diretor do departamento de sociologia do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). O Instituto direcionava suas forças para a formulação do estudo e divulgação das ciências sociais, econômicas e políticas aplicados à análise e à compreensão crítica da realidade brasileira e suas problemáticas particulares. Por meio disso, pode-se dizer que a finalidade era alcançar através da reflexão crítica a chave para o desenvolvimento da sociedade brasileira.  Guerreiro Ramos publicou pelo ISEB dois trabalhos essenciais para compreender essa natureza crítica: Introdução Crítica à Sociologia Brasileira (1957) e A Redução Sociológica (1958).

Teve importante papel no Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) que consistiu em um órgão público do Estado criado em 1938, durante o governo de Getúlio Vargas. O órgão representou o esforço de mudança na atuação da administração pública brasileira. Guerreiro teve papel fundamental na inversão do paradigma de se pensar o Brasil e sua realidade a partir de teorias estrangeiras, para o autor era necessário entender as problemáticas nacionais e os processos que levaram a sua formação para que a partir disso se pudesse elaborar teorias em busca de soluções.

É valido pontuar que enquanto sociologo negro o autor teve papel significativo na abordagem da questão ao longo de sua trajetoria. Sua crítica estrutural ao racismo e a estrutura social que o sustenta se faz presente em sua obra “O Problema do Negro na Sociologia Brasileira” dedicada exclusivamente a essa temática. Alem disso podemos citar sua relação com Abdias do Nascimento ,outro interprete importantíssimo para a questão do negro no brasil. Os dois atuaram juntos no Teatro Experimental do Negro iniciativa que buscava dar luz a cultura de origem africana e valoriza-la por meio de interpretes negros.

Atuação Política:

No ano de 1960, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) se tornando candidato em 1962 a deputado federal pelo Estado da Guanabara a qual garantiu a segunda suplência. Assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados de agosto de 1963 a abril de 1964, quando teve seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional nº 1. Esse acontecimento vem a resultar em seu período de exílio o qual atuou como professor nos Estados Unidos.

Durante seu mandato, defendeu o monopólio estatal do petróleo, a nacionalização da indústria farmacêutica e dos depósitos bancários, além de reformas eleitoral, bancária e administrativa.